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A violência que nos assola e aumenta as estatísticas

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Postado em 05/09/2014

Faltando cerca de 40 dias para a eleição, não percebi ainda nenhum candidato dar a devida atenção para a violência exacerbada que está corroendo a nossa sociedade e muito menos para o genocídio racional que a nossa era está alimentando diariamente. Os dados apontam que no Brasil são registradas mais de 10% das mortes de todo o planeta.

Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) estima que o volume de homicídios é maior e já teria ultrapassado a marca de 60 mil anuais. “O aumento das mortes classificadas como “causa indeterminada”, desconfia-se, seria na verdade um subterfúgio de autoridades estaduais para maquiar a realidade” (Carta Capital 25/6).

O Brasil quebrou ultrapassou um triste recorde – teve o maior número de pessoas mortas em um ano, segundo dados divulgados no Mapa da Violência 2014. Ao todo, foram 56.337 mortes, o maior número desde 1980. O total supera o de vítimas no conflito da Chechênia, que durou de 1994 a 1996. É o dado mais atualizado de violência pelo Brasil e tem como base o Sistema de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, que registra as ocorrências desde 1980.

A taxa de homicídios também alcançou o patamar mais elevado, com 29 casos por 100 mil habitantes. O índice considerado “não epidêmico” pela Organização Mundial da Saúde é de 10 mortes para cada grupo de 100 mil habitantes.

A violência é a questão principal que puxa para baixo o desempenho do Brasil em qualidade de vida, de acordo com dados do relatório Índice de Progresso Social (IPS). Entre os 132 países analisados pelo documento, o Brasil aparece como na 122a posição no ranking de segurança pessoal. Ou seja, considerando o final do ranking como o de país mais inseguro, o Brasil aparece em 11o lugar. A lista é encabeçada pelo Iraque, considerado o país mais inseguro do mundo.

Ora, a violência no Brasil atingiu índices inaceitáveis e a grande dificuldade em se por um fim a esse mal é a pluralidade e grandeza de suas causas. O que existe é um ciclo vicioso: condição econômica do país, desigualdade social e polícia ineficiente. Tratar problemas como este exige a participação da sociedade e o empenho singular dos órgãos administrativos, com o cidadão trabalhando em conjunto com a polícia.

Após todas essas ponderações, percebo que a redução na violência no nosso país passa pela realização de reformas na estrutura da segurança pública, e aí eu incluo mudanças na polícia, no código penal e, claro, no sistema penitenciário que está falido. E isto é de responsabilidade dos nossos governantes, que estão prestes a assumir ou reassumir o poder deste país.

Portanto, meus caros, é hora de pensar e, pensar muito em quem iremos eleger para nos representar nos próximos anos!

 

Eduardo Kümmel

Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados