quarta-feira, 16 de junho de 2021 19:09

INÍCIO | LINKS ÚTEIS | TRABALHE CONOSCO | CONTATO


AS ARMADILHAS DA FACILIDADE DE CRÉDITO

Seção:
Postado em 19/04/2013

Tenho observado cada dia mais, as diversas oportunidades de “dinheiro fácil” que estão disponíveis no mercado. Esse tipo de oportunidade traz para nossa discussão uma característica de muitos brasileiros: o desejo de ter dinheiro fácil e rápido. O imediatismo toma conta da cabeça de uma grande percentagem da população, algo que na maioria das vezes tem resultados catastróficos.
Desde que foi criada, em 2004, a modalidade do empréstimo consignado vem atraindo milhares de aposentados, pensionistas e servidores públicos, a partir de ofertas atrativas e que costumam oferecer taxas de juros “baixas”.
Vista como positiva, a expansão do crédito está aumentando o endividamento da população. Os problemas dessa nova “modalidade” de crédito são vários, incluindo a facilidade de tomar um empréstimo. Ora, isto acaba sendo a porta de entrada para um mar de dívidas impagáveis. Isso normalmente acontece porque o devedor está passando por dificuldade financeira e vê no crédito consignado a maneira de honrar seus compromissos.
Os baixos juros acabam fazendo com que as pessoas metam os pés pelas mãos. Mesmo com a assunção da dívida do empréstimo consignado, mantém incólumes os seus gastos fixos, continuando a gastar o que gastavam antes. Porém, agora, com uma dívida a ser paga. Assim, a conta não fecha e, para honrar os compromissos, recorre-se a novo empréstimo. Daí a situação é aquela conhecida, uma verdadeira “bola de neve”.
A boa notícia é que, se alguém está comprometendo mais do que o limite legal nessa modalidade de empréstimo, pode recorrer à Justiça para limitar as parcelas ao percentual permitido.
E então, o que fazer? Alguém que já esteja com a corda no pescoço por estar no limite do crédito consignado em folha precisa urgentemente reorganizar seu orçamento. Além disso, é preciso tentar renegociar as taxas de juros com a instituição que efetuou o empréstimo.
Obviamente que cada pessoa é livre para saber o que faz com sua situação financeira. Porém, uma grande parcela da população não tem a menor noção do mundo financeiro, e acha que é vantagem receber R$ 1.000 hoje mesmo que tenha de pagar muito mais do que isso em suaves e extensas prestações. É lamentável concluir, mas o próprio governo anda estimulando esse tipo de comportamento, sem antes ensinar como organizar a vida financeira da população.
Nessa atual conjuntura, vale lembrar que na modalidade de empréstimo consignado, as parcelas descontadas em folha não podem passar de 30% do valor da aposentadoria, e o teto dos juros mensais é de 2,5%.

Também, não podemos esquecer que as pessoas têm seus direitos, e que muitas vezes não são conhecidos e por isso acabam caindo nas armadilhas de empresas que prestam esse tipo de serviço.

Minha sugestão é que se comece por um planejamento, priorizando gastos mensais e a sua renda, e procurando deixar uma reserva do salário para eventuais imprevistos que possam vir a surgir durante o mês. Caso contrário, recorra a um serviço especializado e busque seus direitos de cidadão consumidor!

Eduardo Kümmel
Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados