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Como fica o setor orizícola?

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Postado em 30/06/2015

Custos em alta, mercado estagnado e preços em queda – os arrozeiros acabaram ficando em situação financeira muito complicada no Rio Grande do Sul, principal produtor do grão. Com os preços fracos, em comparação com o mesmo período do ano passado, o setor precisa reagir e enfrentar esta realidade antes que toda sociedade acabe pagando a conta.

A Federação da Agricultura do Estado (Farsul) e da Federarroz solicitaram a prorrogação do vencimento das duas primeiras parcelas das linhas de custeio da safra passada. Após aprovação dos ministérios da Agricultura e da Fazenda, além do Banco do Brasil, foi confirmado que o pagamento das parcelas a vencer em julho e agosto poderá ser postergado para novembro e dezembro, com juro de 6,5%.

Além da prorrogação do vencimento, também foi negociada a liberação de R$ 220 milhões para a comercialização, a juro de 6,5% e a reprogramação do pagamento da renegociação da dívida. Agora as negociações seguem com os demais bancos, ainda que o BB responda por cerca de 70% das contratações do crédito agrícola no nosso Estado.

Grande alívio este anúncio!? De que adianta prorrogar as parcelas de julho e agosto para novembro e dezembro, se grande parte da produção já foi vendida para pagar combustível, financiamentos, insumos e demais despesas ou foi entregue em cooperativas e  engenhos para saldar seus débitos?!

O que o arrozeiro precisa é de prazo de 10 anos para pagamento dos débitos anteriores; de energia elétrica mais barata; preço do diesel mais acessível; de uma legislação trabalhista mais justa para o empregador; de um preço mínimo do arroz condizente com os custos; de seguro agrícola subsidiado e ainda precisa de representantes, políticos e órgãos mais competentes e dispostos a lutar pela causa.

O arrozeiro não é caloteiro e muito menos aventureiro, mas com o custo atual e o cenário que está sendo desenhado, com a alta do custo de produção, acima de 17% em relação ao ano passado e o preço do arroz em queda, o produtor não tem como sustentar seus débitos e muito menos custear a próxima safra. O desafio agora está em negociar bem a produção para aliviar o crescente custo da mesma.

O foco dos orizicultores no cenário atual deve ser a busca por um preço médio de, no mínimo, R$38,00 por saca, sob risco de perder sua renda em função de novos e inevitáveis aumentos futuros nos custos de produção. É preciso cautela, o que será crucial para cuidar da liquidez, pois a próxima safra terá custo de produção maior e será um novo desafio. Cabe ao arrozeiro buscar seus direitos, gerir suas dívidas, escolher quem irá pagar e quem irá financiá-lo!

Eduardo Kümmel

Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados