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Empreender no campo é possível

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Postado em 23/05/2017

Durante a segunda metade do século XX, o Brasil assistiu profundas mudanças em sua estrutura rural. Experimentamos enormes avanços tecnológicos e passamos de um modelo de subsistência para uma agricultura de mercado. Neste sentindo, as questões ligadas ao “empreendedorismo rural” adquirem um papel determinante, uma vez que não é possível chegar próximo do ideal de desenvolvimento sustentável sem que se organize uma profunda inovação nas formas de uso social dos nossos recursos naturais. E também, porque é nas regiões rurais que se observa uma maior proximidade entre a sociedade e a natureza.

Se tomarmos por base o conceito atual, qual seria a definição de empreendedor? O que é empreender? Será aquele empresário que abre uma empresa nova? Aquele que busca ideias para abrir um negócio diferenciado? Que tenta criar um negócio novo?

Eu diria que o conceito de empreender ou ser um empreendedor, de uma forma genérica, é aquele que busca fazer a diferença. Assim, ele trabalha de forma obstinada, focada, sendo estrategista, conhecendo o mercado onde atua, procurando inovações, tendências e desafios.

No campo, também deve ser assim, o empresário rural deve estar cada vez mais atualizado com a profissão onde atua. Logo, em um mercado cada dia mais competitivo, não basta apenas manter a produção, é preciso a utilização de métodos e técnicas adequadas com vistas a ampliação do nível de produção. Um exemplo claro disso foram os inúmeros produtores rurais gaúchos que se deslocaram para outros Estados em busca de novas oportunidades, desbravando horizontes. Foram para o Piauí, Bahia, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins e hoje estão muito bem estabelecidos, com vastas propriedades e grande produtividade, cultivando grãos e criando gado.

Ademais, temos hoje a agricultura de precisão, a irrigação artificial, pivôs, silos, rotações de culturas, dentre outras. Fora isto, o empresário rural deve cuidar também da parte administrativa, jurídica, trabalhista, fiscal e social de sua empresa, sem esquecer-se de fazer a gestão do seu patrimônio, sempre buscando formas de crescimento e inovação. É inegável que o produtor rural passou a ser um empreendedor e um prestador de serviços, trabalhando diretamente na fabricação e comercialização de seus próprios produtos.

O novo momento no meio rural brasileiro faz com que o empreendedorismo seja uma estratégia altamente importante. Essas novas atividades no campo estão desenvolvendo a mentalidade do empreendedorismo rural, provocando uma clara mudança no modo de encarar a realidade no campo, uma vez que no passado, as atividades não-agrícolas não eram consideradas como fatores relevantes para o aumento da geração de renda e do nível de emprego no campo.

Desta forma, o empreendedorismo rural, ou melhor, o empreendedor rural é muito bem visto em nossos pampas e em todo o Brasil, pois dele vem o nosso alimento, a geração de renda e uma visão maior de futuro. A relevância desse tipo de atividade pode ser constatada, na medida em que isto se reverte em novas oportunidades de trabalho e renda. O que nos falta é um governo que invista não somente com recursos financeiros, mas também com planejamento, para que estes empreendedores busquem soluções e novos projetos para o crescimento cada vez maior do nosso agronegócio.

Eduardo Kümmel

Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados