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Energia elétrica, de novo ela

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Postado em 17/07/2015

O aumento da energia elétrica pegou toda população de surpresa. Mas nos confins do Estado, a coisa parece estar ainda mais assustadora – reportagem da ZH aponta que certos horários são proibidos para o banho. É que se um vizinho liga o chuveiro, o outro pode não conseguir terminar de ordenhar as vacas, porque a rede não suporta a carga. Carente de potência, a rede de energia elétrica do interior não acompanha o desenvolvimento do campo, restringindo o uso de equipamentos e de tecnologias.

A mesma reportagem aponta que, embora o RS seja o terceiro colocado no ranking nacional de cobertura elétrica no campo, temos 250 mil pequenas e médias propriedades — metade do total, estima o setor — que encontram na qualidade da energia um entrave para a expansão e modernização. Baixa potência, fornecimento precário e falta de manutenção são ingredientes que, somados, causam um apagão constante de luz e de desenvolvimento.

Diretor da FARSUL, Fábio Avancini Rodrigues diz que o problema não está só no tipo de rede, mas na distribuição, o que resulta em produtividade menor, em especial no arroz (100% irrigado), e perdas na produção avícola e leiteira. Para Rodrigues, a solução passa por investimento e mais ação dos órgãos reguladores — Energia é insumo de produção. No grão, quilo de carne ou litro de leite, a energia é um componente, como adubo ou terra. E se tem deficiência em uma parte, há quebra na produção.

As quedas de luz são frequentes principalmente em horários de pico, após o meio-dia e no final da tarde e as concessionárias admitem que existe problemas de tensão em diferentes pontos. Dizem, inclusive, estar trabalhando para resolver estas questões integrando o grupo de trabalho criado na Assembleia Legislativa para discutir o assunto, que conta ainda com representantes dos produtores, do Ministério Público, do PROCON e da Agência Estadual de Regulação dos Serviços Públicos Delegados do Estado.

Não preciso nem dizer que esta fragilidade do sistema interfere muito no volume da produção, que poderia ser maior se as redes monofásicas fossem substituídas por redes capazes de gerar uma melhor distribuição de carga.

Ora, cada vento sul que passa pelo Rio Grande é uma queda de luz que gera menos produtividade na plantação de arroz. Sem contar a “chuva” de aumento de valores e a crise, que não tem se que uma luz para a devida solução!

Eduardo Kümmel
Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados