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Internet Celular no campo? O verdadeiro teste de paciência

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Postado em 11/12/2015

Iniciei essa semana lendo uma matéria, na ZH, que tratava sobre os problemas da telefonia e da internet no campo. Pois bem, que está na lida diária no campo sabe muito bem que este assunto é sinônimo de paciência, muita paciência. Conheço gente, inclusive que precisa escalar árvores para tentar alçar os pontos em que o celular pega.

A situação é tão crítica, que conforme aponta a matéria de ZH, em 2013, houve a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia, na Assembleia Legislativa. Um dos resultados da CPI foi a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) entre o Ministério Público do RS (MP-RS) e as operadoras Oi, Tim, Vivo e Claro. Passados quase dois anos, o prazo para os ajustes expira em 31 de dezembro. Mas o próprio MP reconhece que os problemas persistem.

Para a promotora Caroline Vaz, coordenadora do Centro de Apoio Operacional de Defesa do Consumidor e Ordem Econômica, há um descompasso entre a demanda e os investimentos das operadoras. Conforme dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em agosto deste ano, 16,3 milhões de linhas estavam habilitadas no Estado. Dez anos atrás, eram apenas 6,7 milhões. O que estamos vendo é que as pessoas continuam com os mesmos problemas de 2013, especialmente na zona rural — diz a promotora.

Diz-se que até o final do ano, as operadoras terão de atender pelo menos 80% das áreas compreendidas até a distância de 30 quilômetros do limite das localidades sede de todos os municípios — no RS, a responsabilidade é da Oi. “Não estamos pedindo um favor. Estamos pagando por um serviço que não está sendo prestado na qualidade vendida. Hoje, um smartphone pode ser muito útil no gerenciamento de uma propriedade, mas essas condições desestimulam o produtor”, avalia Fábio Avancini Rodrigues, Diretor da Farsul.

Bom, se o sinal de telefone é precário vocês imaginem o de internet?! Diria que é inexistente. Nesse caso fico pensando – A tecnologia da informação, que já domina o desenvolvimento da indústria e do comércio, em geral, já chegou com intensidade ao campo, mudando conceitos da gestão dos negócios rurais. Mas de que adianta o agricultor focar na tecnologia de informação, adquirir programas modernos de gestão e desenvolver procedimentos para ampliar sua atuação se o serviço básico de telefone e internet não funciona?

Fico tão triste quando penso sobre isso e vejo a dificuldade de tanta gente querendo ampliar seus negócios, se modernizar e desenvolver melhor suas propriedades. No meu ponto de vista, trata-se de uma falta grande de políticas públicas que estimulem a melhoria da prestação de serviços de comunicação no campo. As empresas de telefonia e internet precisam voltar seu olhar pro campo e melhorar a estrutura de captação de sinal. Afinal, internet e celular não são mais meros artigos de luxo, são instrumentos de trabalho, de gestão e de desenvolvimento. Não tem como voltar atrás sobre isso!

Eduardo Kümmel
Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados