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LOGÍSTICA AGRÍCOLA: UM DESAFIO PARA O BRASIL

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Postado em 08/05/2013

Os dados das safras de 2013 impressionam até quem não atua diretamente no ramo do agronegócio. É senso comum que o Brasil está colhendo a maior safra da sua história, com índice de 11% a mais do que na safra anterior. Podemos nos considerar o primeiro produtor e exportador mundial de soja, por exemplo. Já passamos os americanos na posição de primeiro exportador mundial de milho, um fato inédito e totalmente surpreendente para nós brasileiros.

Mas o que me preocupa diante de todos esses belos índices é a questão da logística agrícola, ou seja, quanto efetivamente será escoado através de nossos portos e rodovias? Porque afinal de contas, produção nós garantimos, basta dizer que só na soja ampliamos a área plantada em quase 3 milhões de hectares em apenas um ano. Não há que se negar que também, em apenas um ano, aumentamos a nossa exportação de milho e soja em 18 milhões de toneladas, 36% mais do que na safra passada.

O fato agravante em termos de escoação da produção neste ano é a efetivação da Lei 12.619, que restringiu a jornada de trabalho dos caminhoneiros e o tempo de condução dos veículos. Diz-se que proporcionou o efeito prático de “retirar” mais de 500 mil carretas das estradas. Sem contar nos preços, os fretes de cargas já subiram entre 25% e 50% este ano.

Situação calamitosa, não acham? Como eu não costumo apontar os erros sem sugerir correções, a primeira coisa a ser dita é que precisamos urgente modernizar a logística do nosso Brasil. É hora de ultrapassar as reservas de mercado, a burocracia e o corporativismo de um dos setores mais atrasados da economia brasileira.

A logística é um dos entraves para o crescimento da produção agrícola no Brasil. Ora, providências podem ser tomadas para melhorar o transporte e as instalações portuárias que temos. É um grande desafio do agronegócio? Sim, claro. Mas enquanto a demanda cresce, é preciso que as opções de transporte e escoamento acompanhem esse crescimento. Não concordam?

Tá certo que somos quase “reféns” do modelo rodoviário, mas se o Brasil não começar a estudar outras alternativas, é bem possível que percamos belas oportunidades de negócios neste setor.

Penso que o transporte ferroviário, sim aquele que o Brasil já usou em tempos passados, poderia resolver parte dos nossos problemas. Basta observar os exemplos dos países que mais utilizam as ferrovias como os Estados Unidos e a Rússia, ambos transportam boa parte das suas cargas por vias férreas. Na Europa Ocidental, esse tipo de transporte dispõe de grande tecnologia e também é usado na locomoção de pessoas. Porém, por aqui, o volume de cargas e a quantidade de quilômetros da malha ferroviária diminuíram gradativamente para dar lugar ao transporte rodoviário.

Em um momento em que diversos países aprontam agressivas políticas comerciais, será que não está em tempo de repensar a nossa situação e priorizar uma combinação entre maior eficiência e visão de futuro? Fica aí a questão para reflexão!

Eduardo Kümmel
Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados