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Nem a erva-mate ficou de fora

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Postado em 28/11/2014

Os rumos da economia são tão obscuros que nem acabou 2014 e já estamos sentindo no bolso os sinais do crescimento acelerado da inflação. Segundo a BBC Brasil, o país vive, atualmente, o “pior dos mundos”, com crescimento baixo e inflação alta. Já conhecemos bem a situação – afinal de contas, a inflação é um velho inimigo da nossa economia. Hoje em dia, o Brasil trabalha com um sistema de metas de inflação anual. Nos últimos 12 meses encerrados em março, segundo os dados divulgados pelo IBGE, a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulou alta de 6,59%, estourando o teto da meta. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde novembro de 2011, quando o aumento em igual período foi de 6,64%.

Exemplifico aqui a situação – em setembro, observamos na pele o impacto da alta no preço da erva-mate no consumo do chimarrão no Rio Grande do Sul. Nos últimos dois anos, o valor médio do produto dobrou e está mais alto até do que o café. Como consequência, as vendas em 2014 caíram 20%.A baixa no consumo faz com que as ervateiras comprem menos matéria-prima e a lavoura do produtor rural tem um prejuízo que deve chegar a 30% neste ano.

Podemos dizer que diversos fatores explicam a escalada inflacionária no Brasil. A meu ver, a origem está no desequilíbrio entre a oferta e a demanda. Existe um consenso de que parte da culpa é das condições climáticas. Nos Estados Unidos, a seca elevou os preços dos grãos, ao passo que, no Brasil, a seca no Nordeste e as chuvas na Região Sul também afetaram o valor cobrado pelos alimentos no mercado doméstico, além dos velhos e conhecidos problemas estruturais do Brasil.

Penso que o governo deveria corrigir os “buracos” estruturais da economia brasileira, o chamado “Custo Brasil”, o que melhoria a produtividade no campo e na indústria e, por consequência, contribuiria para aliviar a pressão inflacionária sobre os preços. Para quem não está lembrado, o Custo Brasil é o termo usado para descrever o conjunto de dificuldades estruturais, burocráticas e econômicas que encarecem a produção e diminuem o investimento no Brasil, dificultando o desenvolvimento nacional, aumentando o desemprego, o trabalho informal, a sonegação de impostos e a evasão de divisas.

Os Economistas que me perdoem, mas a classe produtiva brasileira está sendo castigada. O governo precisa destravar as obras de infraestrutura, como a modernização de aeroportos, portos e a construção e recuperação da malha viária e ferroviária. A logística para escoar a produção brasileira ainda é um entrave que compromete seriamente a competitividade do País frente às demais economias dinâmicas. As parcerias público-privadas têm que ser implementadas, com maior rapidez possível, nos gargalos da economia para que possamos, com a entrada do capital privado, diminuir o custo da produção no Brasil. Não podemos perder mais tempo!

Ao sanar as mazelas estruturais do País, os alimentos e toda a cadeia produtiva serão barateados, a inflação vai contrair, novos investimentos internacionais serão atraídos, a oferta de empregos crescerá e o PIB vai voltar a subir com mais força e consistência. Não tenho a menor dúvida quanto à capacidade da nossa agropecuária, dos empreendedores e acima de tudo de todo povo brasileiro. Basta apenas termos as condições necessárias para desenvolvermos os nossos múltiplos potenciais. Como dizia Eduardo Campos “O Brasil tem jeito, vamos juntos”. E eu acredito no Brasil!

Eduardo Kümmel

Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados