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O agronegócio e o produtor rural: iguais só na aparência

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Postado em 27/04/2011

“Abril vermelho, ação promovida pelo MST, pede reforma agrária. A insatisfação é grande e, por isso, esse vai ser um abril diferenciado porque as ações serão intensas por falta de agilidade do governo, em relação à reforma agrária”, afirmou o diretor estadual do MST ”. Quando tomei conhecimento desta notícia a poucos dias, me obriguei a escrever este artigo para todos os produtores rurais, em sinal de protesto. Mas não são só as ações do MST que vêm tirando meu sono.

Com a facilidade de aquisição de dinheiro do BNDES, diversos empresários do agronegócio estão se unindo com intuito de tornarem-se os poderosos do setor. Eles acabam tendo dinheiro a vontade para adquirir novas empresas e serem cada vez gigantes. O capital estrangeiro e as empresas de fora também estão tomando conta do campo e confiscando, digamos assim, as terras dos nossos tão desestimulados e desmotivados produtores rurais.

Tão consoante encontra-se essa situaçao, que o próprio Ministério Público Federal percebeu tal perigo, de perdermos a soberanina nacional, e prometeu iniciar investigações importantes contra o excesso de compras de terra pelos estrangeiros neste país.

Mas e os governantes, onde estão? O que estão fazendo? Ao meu ver, até agora só anunciaram “migalhas” para os agricultores de nosso país, gastando mais verba na propaganda do que na própria efetivação do programa. Ora, estamos produzindo safras recordes, somos grandes exportadores perante outras nações e alimentamos cerca de 200 milhões de brasileiros. Como podemos não ser reconhecidos pelo Estado e pelo país? O homem do campo, o agricultor rural é o grande herói de uma nação, por que uma nação só é forte se o seu povo estiver bem alimentado. Mas nós, sempre fomos olhados com desprezo e nunca fomos valorizados pelo trabalho prestado a nação, com o valor que realmente merece.

E a tecnologia? Sim, hoje temos alta tecnologia, altíssima produtividade, supersafras e agronegócio crescendo de vento em polpa. Porém, de outra via, temos produtores e cooperativas cada vez mais endividados virando, praticamente, escravos das multinacionais. E cadê a renda? Será que viramos escravos do agronegócio?

E tudo isso, sem mencionar a área ambiental. Estão nos tratando como verdadeiros bandidos e nos acusando de “destruidores do meio ambiente”. A missão do agricultor hoje é produzir alimentos ao nosso povo e, por isso, não podemos permitir que nos tratem como bandidos. Não podemos mais aceitar esmolas dos governantes. Precisamos nos unir para ocuparmos nosso verdadeiro papel na sociedade, com dignidade e respeito. Está mais do que na hora de os governantes e a própria sociedade reconhecerem papel do produtor rural, do homem do campo que participa diretamente do desenvolvimento deste país, da produção de alimentos e do respeito nacional pelas nossas exportações.

Porém, enquanto isso não acontece, continuamos enfrentando os inimigos como preços baixos na venda da produção, secas, tempestades, enchentes, pragas de várias espécies, juros altos, alto custo da produção, impostos exorbitantes e a falta de política agrícola do governo, porque o produtor rural é valente, não desiste de lutar e acredita sempre em seu trabalho e no próximo ano que virá.

Eduardo Kümmel
Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados