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O Brasil da Copa

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Postado em 21/02/2014

Faltando pouco mais de quatro meses para o inicio da Copa do Mundo de 2014, fico me perguntando diariamente – qual é mesmo o Brasil da Copa?

Pois bem, o Brasil da Copa é aquele em que profissionais do Hospital Municipal do Rio de Janeiro, tiram fotos das condições de atendimento na unidade para denunciar o descaso ao Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio). Imagens mostraram pacientes sendo atendidos no chão do hospital que está superlotada e em péssimas condições.

O Brasil da Copa é aquele em que acontece “pane no metrô” de São Paulo, no meio de horário de pico, por causa de uma falha técnica. O problema foi na Linha 5-Lilás, que atende a zona sul, deixou as seis estações em operação fechadas. Assim como já havia ocorrido na Linha 3-Vermelha. Resultado: passageiros sem transporte caminharam sobre os trilhos.

O Brasil da Copa é o mesmo que propõe o programa “Ciência sem Fronteiras” que busca promover a consolidação, expansão e internacionalização da ciência e tecnologia, da inovação e da competitividade brasileira por meio do intercâmbio e da mobilidade internacional, mas que atrasa o pagamento de mais de 20 bolsistas que estão na Irlanda, sem receber o auxílio alimentação desde o fim de dezembro.

O Brasil da Copa é aquele que aprova R$ 60 milhões para recuperar equipamento de energia elétrica para Bolívia. Os recursos são destinados à contratação, sem licitação, de uma empresa estatal para prestar serviços de recuperação e transporte de equipamentos de geração de energia elétrica em desuso. Os equipamentos da Eletrobras serão cedidos à Bolívia em um programa de cooperação energética entre os dois países. Segundo o Executivo, o governo boliviano solicitou ajuda ao brasileiro para enfrentar o deficit energético que enfrenta.

No Brasil da Copa o número de “apagões” mais que triplicou neste ano. De 1º de janeiro até agora foram 17 interrupções no fornecimento de energia elétrica no país, enquanto em igual período de 2013, foram cinco. Nós gaúchos também ficamos mais tempo no escuro. Dos blecautes ocorridos neste ano, dois afetaram o Rio Grande do Sul, conforme levantamento do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Esses apagões são fruto do sucateamento das redes elétricas e das hidrelétricas que não dão mais conta de tamanha demanda, pois não recebem investimento.

O Brasil da Copa também tem o desafio de despoluir em 80% a Baía de Guanabara. Afinal, ela recebe ainda 60% de todo o esgoto produzido à sua volta — ou seis mil litros por segundo — e toneladas de lixo diariamente.

O Brasil da Copa implantou o programa “Mais Médicos”, como pacto de melhoria do atendimento aos usuários do SUS, prevendo mais investimentos em infraestrutura dos hospitais e unidades de saúde, além de levar mais médicos para regiões onde há escassez e ausência de profissionais. Daí médicos cubanos abandonam o programa por receberem US$ 400 para viver no Brasil e os outros US$600 seriam depositados na conta de Cuba, que só poderiam ser movimentados quando retornar à ilha.

É meus caros conterrâneos, fiz apenas um “en passant” pelas questões que estão mais em voga no momento. Aí eu pergunto-lhes se existe vontade de assistirmos e torcermos pelo Brasil? Será que vamos colocar tudo embaixo do tapete? Me revolto quando vejo o superfaturamento de obras dos estádios, sendo que muitos deles nem serão usados futuramente. Estamos deixando de investir nas necessidades básicas da população. Em breve sentiremos no bolso os problemas que advirão dessa Copa, mas Cuba continuará com seu “porto” seguro, a Bolívia com sua energia ditatorial e, o Brasil, comemorando a Copa ou os mortos, analfabetos, o deficit público, desemprego e a falta de capacidade e de vergonha de alguns de nossos políticos.

Eduardo Kümmel 

Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados