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O cenário que se desenha para o setor do arroz

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Postado em 17/04/2015

Estamos vivendo a já anunciada crise que viria pós Copa do Mundo e as eleições presidenciais. Todos os setores da economia foram afetados e a tendência é piorar ainda mais.

Um cenário desolador para o produtor rural, em especial, ao setor orizícula, que está planejando os custos para a produção da lavoura da próxima safra e contabilizando os recursos que custeará suas despesas ao longo do ano. É momento de repensar os investimentos, fazer cálculos de acordo com o cenário econômico atual, com juros e custos de produção mais altos.

Observamos a elevação do custo de produção, a perda da competitividade com a ampliação da taxa dos juros, os aumentos sucessivos da energia elétrica, dos combustíveis e a disparada do dólar que influencia no valor dos insumos e combustíveis, provocando um efeito cascata e o consequente repasse de custos para a sociedade.

Como explicou o presidente da Federação das Associações de Arrozeiros (Federarroz), Henrique Dornelles, no caso do arroz, o dólar em alta até ajuda a valorizar o produto para cerca de 15% da produção gaúcha, que tem como destino o mercado internacional. ‘O dólar valorizado nos dá mais competitividade. Entretanto, estamos muito apreensivos em relação aos custos’, explica. Ele estima que os insumos dolarizados componham pelo menos 30% dos custos da produção do cereal.

Conforme exposto pelo ex-ministro da Agricultura, Luiz Carlos Guedes Pinto durante a 16ª Expodireto Cotrijal, o mais importante do que uma taxa de juro de 1% a mais ou a menos, seria ampliar os recursos para o seguro agrícola e integrar a política de garantia de preço com a política de crédito. É preciso implementar efetivamente um programa amplo que assegure renda para o produtor. Essa seria a receita ideal para tentar equilibrar a situação financeira, com financiamentos rurais com juros mais baixos e com limites de créditos mais elevados.

Com anúncio do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o governo deve aumentar o crédito para a classe média rural. Segundo ele, o reforço nos financiamentos deve ficar entre 20% e 25%. “Queremos garantir tranquilidade para que todos possam se dedicar à sua terra e ter acesso às tecnologias, com uma classe média cada vez mais forte no campo”. Segundo ele, o agronegócio vai ajudar na “arrumação” da casa da economia nacional. O ministro também disse estar atendo à questão do seguro rural, mas não detalhou se haverá alguma medida específica para o tema.

Sem financiamento fica difícil sobreviver no setor. O preço do arroz, por exemplo, tem ficado mais estável segundo o Cepea. Porém, nestes primeiros dias de abril, a desvalorização é de 0,06%. Produtores de arroz estão retraindo vendas. Nesta semana, a Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) informou, em nota, que espera estabilidade para os preços. A sustentação vem das exportações.

A ministra da Agricultura, Kátia Abreu defende os ajustes fiscais do governo como necessários para o país, após o governo limitar os gastos com despesas em 33% enquanto o Congresso Nacional não aprovar o Orçamento de 2015, o que ela estimou para ocorrer até março. Sendo bom para o Brasil, necessariamente será bom pro agronegócio?

Eduardo Kümmel

Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados