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Qualidade da mesa depende da qualidade do campo

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Postado em 16/09/2016

Considerado o setor mais competitivo da nossa economia, o agronegócio representa cerca de 23% do total do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Porém, como qualquer atividade humana, a agricultura é feita de pessoas. Não apenas os grandes, mas também os médios e os pequenos produtores rurais.

A magnitude da contribuição dos produtores de pequeno e médio porte varia bastante conforme a cultura agrícola. Em muitas regiões, o cooperativismo é o caminho para agregar valor à produção rural, bem como inserir pequenos e médios produtores em mercados competitivos e altamente concentrados.

Entre os benefícios desse modelo de economia de escala estão o aumento do poder de barganha e a agregação de valor na venda dos produtos e serviços como armazenamento, assistência técnica, industrialização e comercialização dos produtos.

Como sabemos, a maioria dos alimentos que consumimos todos os dias é produzido em propriedades pequenas, por famílias que tiram da terra o seu sustento. Parte dos alimentos é vendido diretamente pelos agricultores nas feiras e praças, outra parte vai para os supermercados.

É comprovado que o consumo desses alimentos tem impacto na nossa saúde. O Guia alimentar para a população brasileira, organizado pelo Ministério da Saúde, tem orientado que o aumento do consumo de frutas, verduras e legumes melhora a saúde e previne doenças crônicas como diabetes e pressão alta.

A agricultura familiar produz cerca de 70% do alimento que chega à nossa mesa. Porém, com a crise hídrica, a produtividade caiu em média 70% e gerou três grandes efeitos negativos diretos: a redução da oferta de alimento para a sociedade, o endividamento com bancos de crédito rural e a dificuldade das famílias em garantir a própria subsistência.

Destaco que a renegociação das dívidas não se trata de um tipo de calote, como muitos falam por aí. Se trata apenas de uma adequação no conjunto das dívidas dos produtores em virtude das sucessivas safras em que houve frustrações tanto climáticas quanto econômicas em virtude dos mercados internacionais.

Nossa preocupação é muito grande. Se a agricultura não tiver auxílio emergencial, não vamos ter alimento em nossas mesas em breve. Precisamos lutar por políticas de crédito, seguro e renegociação das dívidas do setor. Caso contrário, o caos é eminente!

Eduardo Kümmel
Advogado e Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados