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Sacolas plásticas a partir do amido de milho

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Postado em 06/09/2012

De todas as coisas que já foram inventadas por aí, a maioria delas estão ligadas ao conforto e a praticidade. Este é o caso das sacolas plásticas, mais conhecidas como “saquinhos de supermercado” que viraram uma verdadeira “praga” da era moderna. Andei pesquisando a origem das famosas sacolinhas e descobri que sua invenção data de 1892. Apesar de antiga, a invenção só veio tomar força no Brasil, na década de 80, atentando para a filosofia do “tudo descartável”.

Mas o mais impressionante é que essas sacolinhas plásticas são um dos grandes vilões do meio ambiente. Primeiro porque geralmente são feitas de derivados do petróleo, que é uma substância não renovável. Além disso, os saquinhos são responsáveis pela maior parte do entupimento de bueiros e córregos, que contribuem para as inundações e retenções de lixo. Despejadas no meio ambiente sua decomposição pode demorar algumas centenas de anos. Pesquisas indicam que esse período é oitocentas vezes maior que o necessário para a natural eliminação de materiais como papel ou papelão.

Se o lixo orgânico, pode levar entre 2 meses e um ano para se decompor naturalmente, os plásticos permanecem impávidos, sem agentes como minhocas, fungos e bactérias que façam esse serviço. Porém, cabe lembrar também que nem toda sacola de plástico está condenada a poluir o meio ambiente, somente aquelas feitas de subproduto de petróleo.

Em São Paulo, quem for a um supermercado deve levar de casa sua própria sacola para carregar as compras. O acordo para banir o uso de sacolas começou a valer no dia 25 de janeiro. A iniciativa deve ser copiada por outros Estados, além de Minas Gerais, que já aderiu. No Paraná e Rio Grande do Sul, por exemplo, a decisão de abolir a sacola de plástico é definitiva.

Diante desta nova realidade, a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho) tirou da cartola uma sacolinha do bem, um produto politicamente correto que se decompõe entre seis e 18 meses, as sacolas à base de milho. Algumas empresas já estão produzindo ou aprimorando essa tecnologia, como é o caso da alemã Basf, dona do Ecovio, um produto derivado de milho industrial. De modo geral, a produção começa no esmagamento do cereal e na fabricação da farinha. Em seguida, o amido é separado e fermentado, num processo semelhante ao do etanol. O resultado é uma substância à base de ácido lático que, aquecida e moldada, se transforma em plástico.

Veja bem, a utilização da sacola de milho poderia ajudar os agricultores a aumentar substancialmente a produção das lavouras, que hoje é de 60 milhões de toneladas por ano. Será que não seria o caso de estimular os produtores de milho a investir em mais nessas áreas de cultivo? É uma questão a ser pensada com prioridade!

Eduardo Kümmel
Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados