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Vamos lá arrozeiros!

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Postado em 05/05/2011

É bastante interessante a situação dos arrozeiros gaúchos nesta safra, em função da situação atípica que estão vivenciando. A colheita até a segunda semana de maio, a safra 2010/2011, considerada recorde, já deverá estar concluída. Porém, em termos financeiros e econômicos, os arrozeiros estão enfrentando um dos piores anos para pagar suas contas, dada a desvalorização do grão. Obviamente que, isso já vem de anos passados e tal “ladainha” acaba sendo sempre a mesma.

Pelas últimas notícias que tenho acompanhado, a comitiva de representantes gaúchos que esteve reunida com o chefe de gabinete da presidente Dilma, com o Ministro da Agricultura e o secretário de Políticas Agricolas do Ministério propuseram uma nova alternativa para elevação do preço da saca de arroz praticado pelo mercado. Eu, como defensor da classe, tanto jurídica como moralmente, venho desabafar nesta coluna o que, certamente muitos produtores devem estar querendo gritar em alto e bom som: o produtor precisa receber pelo menos R$ 25,80 por saca de arroz!

Ora, não há mais condições de cobrir os altos custos, na média de R$ 29,00, por saca de 50kg. Isso, sem falar na questão da estocagem, que é altamente preocupante, para que na próxima safra, não tenhamos um verdadeiro colapso na estocagem da produção gaúcha.

Produtores! Precisamos fazer uma chamada geral para encontrarmos caminhos imediatos de aceleração da comercialização e garantir o preço mínimo, seja pela via formal ou pela judicial. O governo precisa agilizar este processo, incentivando e possibilitando vantagens para a compra do arroz produzido no nosso Estado. Sabemos que, algumas questão já estão sendo discutidas, mas elas ainda são completamente insuficientes. E quem depende da agricultura? Como vai driblar esta crise?

Se não fizermos nada, estaremos fadados a continuar sustentando atitudes de um governo bolsista, em que não se quer mais o trabalho, mas sim um mero assistencialismo, com preço do arroz nas gôndolas do mercado a R$ 5,00. Não existe mais como sermos bons para quem nunca nos deu condições reais de trabalho. O EGF como está não nos serve. Precisamos de uma prorrogação dos empréstimos do Governo Federal da safra passada, cobrindo os 100% dos valores contraídos pelos produtores.

A cadeia produtiva depende de nós produtores rurais. Vamos lá arrozeiros. A saca de arroz nunca alcançou preços tão baixos e, por incrível que pareça, as medidas vistas até agora para modificar essa situação, não estão sendo suficientes. Nós, produtores gaúchos, somos responsáveis por boa parte da produção deste grão em nível nacional. Não podemos deixar que essa situação continue, sem que façamos algo pelos nossos negócios.

Eduardo Kümmel
Advogado – Diretor da Kümmel & Kümmel Advogados Associados